Atualização do Ethereum e suas maiores dificuldades

Quem está familiarizado com o mercado de criptomoedas sabe que os hard forks não são fáceis. Por definição, esses upgrades exigem a atualização de novas regras quase que simultaneamente, gerando dificuldades de coordenação. Ainda assim, uma atualização do Ethereum encontrou um desafio maior. 

Chamada Constantinople, essa atualização servia para encontrar um equilíbrio entre uma rede de diversas partes interessadas. Cada uma em busca de resultados diferentes.

Para deixar tudo mais complexo, existe um prazo para a atualização, definida para outubro deste ano. E para 2019 está previsto uma bomba de dificuldade. Ou seja, um código que torna os blocos de Ethereum menos eficientes em termos de tempo. E isso preocupa.

Até porque, caso nada for feito, essa bomba colocará a criptomoeda num período de alta dificuldade. Com ela, as transações não conseguem ser processadas. Isso torna o Blockchain inutilizável.

Mas, como atrasar a bomba também afeta a inflação do éter, a atualização do Ethereum está sendo exigida cada vez mais. Só que, em busca de soluções, estudos estão vendo que ao adiar a bomba, Constantinope deve reduzir a quantidade de éter. 

Por sua vez, mineradores estão alertando que uma queda dessa pode reduzir a segurança.

Ato de equilíbrio

No final de agosto, haviam três EIPs (Ethereum Improvement Proposal) para serem incluídos no próximo fork rígido. E que já foram implementados para testes. São eles os EIP 145, 1014 e 1052, que procuram adicionar flexibilidade às operações do Ethereum.

Isso facilita as medidas de escala e aumenta a velocidade com que os contratos podem ser verificados.

Embora nenhum consenso tenha chegado na reunião que aconteceu no mês passado entre desenvolvedores, várias partes interessadas usaram as redes sociais para mostrar preocupação.

Brian Ventura, CTO da Atlantic Crypto Corp, advertiu que a segurança da rede Ethereum não é algo para se comprometer. E defendeu que o EIP 1295 é a única proposta que não reduz a segurança. Na verdade, ele reduz a quantidade de éter que é recompensada no bloco.

Ao mesmo tempo que mineradores estão contra a redução da emissão, traders do ETH afirmam que medidas devem ser tomadas para preservar o valor da moeda limitando a emissão.

Compromisso

Vitalik Buterin, fundador da rede Ethereum se mostrou contra ao EIP 1295 e mostrou que isso resultaria na maior centralização das pools de mineração.

O gerente de fundos Spencer Noon também se mostrou contra, e aproveitou para criticar a ACC. Diversas publicações do Reddit traziam a mesma opinião. Com isso, a empresa retirou a proposta para argumentar que a redução da emissão pode ser positiva.

Concordamos que a emissão denominada pelo ETH pode ser muito alta, mas também acreditamos que ajustá-la nas condições atuais de mercado colocará um risco indevido na escala de segurança da rede”, escreveu Ventura.

Durante uma reunião realizada em agosto, o autor Danny Ryan disse que uma redução para o 2 ETH parecia ser um compromisso razoável. Isso poderia trazer equilibrio aos interesses dos comerciantes e dos mineradores.

Paralelamente, mineradoras de GPU estão competindo com ASICs. Com isso, a remoção do hardware da plataforma por meio de uma mudança de PoW seria outro compromisso razoável. Para isso, a mineradora e entusiasta de GPU, Kristy-Leigh Minehan defende a implementação de uma correção de código na Constantinope. 

Mas, para muitos, isso parece improvável.

Alto risco da atualização do Ethereum

Até outubro, pode haver ainda mais dificuldades. Se uma proporção de nós do Ethereum escolher executar diferentes softwares, poderia causar uma divisão na rede.

Apesar disso já ter ocorrido em 2016, com o Ethereum Classic, é uma maneira pela qual o código Ethereum pode realmente ajudar a proteger a rede quando se trata de divisões. Por exemplo, com a presença da bomba, o pesquisador Andrew Bradley disse que as tentativas de forks oportunistas não são susceptíveis para vencer.

Segundo ele, isso reduz a probabilidade de cadeias obsoletas serem recebidas com pouco esforço. E sustentadas por intercâmbios ou por partes precárias sem apoio real ao desenvolvimento.

Mesmo assim, a complexidade que o Constantinope provocou entre a mineradora concorrente e os traders, desencadeou uma onda de envolvimento da comunidade. 

Afri Schoedon, da Parity Technologies afirmou que o Constantinope é o único que ampliou as portas para o envolvimento em decisões difíceis. “No passado, propostas contenciosas eram aceitas imediatamente ou paradas para sempre”, disse. Contudo, nessa situação, as decisões tinham um conjunto mais amplo de envolvimento das partes interessadas. 

Ao mesmo tempo que torna o processo de coordenação mais complicado para a atualização do Ethereum, elimina a pressão da equipe principal de desenvolvedores.

FONTE

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